Segundo levantamento do Imea divulgado nesta terça-feira (18), projeção recuou 7,71% em relação à estimativa de abril; custo da diária aumentou mesmo com milho, caroço de algodão, DDG e farelo de soja mais baratos
- Projeção cai 7,71% em relação a abril
- Diária chega a R$ 13,62 por cabeça
- Milho e caroço de algodão ficaram mais baratos
- Reposição pressiona as contas dos pecuaristas
- Quase metade dos animais deve sair entre setembro e novembro
- Mato Grosso acompanha custos e mercado da arroba
- Próximos meses serão decisivos para o setor
O confinamento de bovinos em Mato Grosso deve alcançar aproximadamente 1,33 milhão de cabeças ao longo de 2026, segundo o segundo levantamento de Intenções de Confinamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado nesta terça-feira, 18 de agosto. A nova estimativa representa uma redução de 7,71% em relação à projeção apresentada em abril, sinalizando uma revisão das expectativas dos pecuaristas para a terminação intensiva neste ano. (Canal Rural)
A redução acontece apesar de um cenário mais favorável para alguns dos principais ingredientes utilizados na alimentação dos animais. Milho, caroço de algodão, DDG e farelo de soja apresentaram preços menores, o que tende a aliviar uma parcela importante das despesas dos confinamentos. Por outro lado, a valorização dos animais de reposição pressionou os custos e contribuiu para manter a diária de confinamento acima do nível observado no ano passado. (Canal Rural)
O levantamento também chama atenção para o calendário de saída dos animais. Quase metade dos bovinos previstos para confinamento deve chegar às indústrias entre setembro e novembro, período importante para o abastecimento durante a entressafra. A combinação entre menor intenção de confinamento, custos ainda elevados e concentração dos abates nos próximos meses passa a ser acompanhada de perto por pecuaristas e frigoríficos. (Canal Rural)
Projeção cai 7,71% em relação a abril
A estimativa de 1,33 milhão de cabeças é inferior ao número projetado pelo próprio Imea no primeiro levantamento de 2026, realizado em abril. A retração de 7,71% mostra que parte dos produtores reviu seus planos ao longo dos últimos meses, mesmo diante da redução dos preços de componentes importantes da dieta dos animais. (Portal DBO)
O confinamento é uma estratégia utilizada principalmente para acelerar a terminação dos bovinos por meio de alimentação controlada e de maior densidade energética. Ao colocar o gado em sistema intensivo durante determinado período, o produtor procura aumentar o ganho de peso e preparar os animais para o abate em uma janela comercial considerada mais interessante.
Essa decisão, entretanto, depende diretamente das contas da propriedade. O pecuarista precisa considerar o preço pago pelo animal de reposição, custos da alimentação, despesas operacionais, duração do confinamento e perspectiva para o preço futuro da arroba. Alterações em qualquer uma dessas variáveis podem modificar rapidamente a atratividade econômica da atividade.
Diária chega a R$ 13,62 por cabeça
O levantamento do Imea mostra que o custo médio da diária de confinamento chegou a R$ 13,62 por cabeça/dia em julho de 2026. O valor representa aumento de 3,57% na comparação com o mesmo período de 2025. Portanto, mesmo com a redução observada nos preços de importantes ingredientes da alimentação, manter cada animal diariamente no sistema ficou mais caro. (Canal Rural)
Essa aparente contradição é explicada pela composição dos custos. A alimentação tem grande peso no orçamento do confinamento, mas não é o único fator determinante. O preço do próprio animal adquirido para reposição também exerce influência significativa sobre a rentabilidade final.
Segundo o Imea, foi justamente a valorização da reposição que absorveu parte do benefício proporcionado pelos alimentos mais baratos. Com isso, a redução dos custos da dieta não foi suficiente para fazer a diária retornar aos níveis observados no ano passado. (Canal Rural)
Milho e caroço de algodão ficaram mais baratos
Entre os componentes analisados, o milho apresentou redução de 13,86%, considerando a comparação apresentada pelo levantamento com as médias de 2025. A queda é especialmente relevante porque o cereal está entre as principais fontes energéticas utilizadas nas dietas de bovinos confinados. (CompreRural)
O movimento foi ainda mais intenso no caroço de algodão, cujo preço recuou 24,18%. Mato Grosso possui grande disponibilidade desse subproduto devido à importância da cotonicultura para a economia estadual, permitindo sua utilização na alimentação animal em diferentes regiões produtoras.
O DDG, coproduto da produção de etanol de milho utilizado na nutrição animal, apresentou queda de 15,60%, enquanto o farelo de soja recuou 2,47%. O conjunto dessas reduções cria condições mais favoráveis para a formulação das dietas, ainda que outros componentes da atividade continuem pressionando os resultados. (Canal Rural)
Reposição pressiona as contas dos pecuaristas
A valorização dos animais destinados à reposição tornou-se um dos principais pontos de atenção. Para iniciar um ciclo de confinamento, o produtor que não possui animais próprios suficientes precisa adquirir bovinos que posteriormente serão terminados e enviados ao frigorífico.
Quanto maior o preço de entrada desse animal, maior precisa ser a receita obtida no momento da venda para que a operação apresente uma margem satisfatória. Assim, mesmo que alimentação e outros componentes estejam mais baratos, uma reposição valorizada pode reduzir a atratividade da estratégia.
O levantamento do Imea associa justamente esse movimento à manutenção da diária em nível superior ao de 2025. Esse cenário ajuda a explicar por que a intenção de confinamento foi revista para baixo entre abril e agosto. (Portal DBO)
Quase metade dos animais deve sair entre setembro e novembro
Outro dado relevante está no calendário previsto para os abates. Segundo o levantamento, 48,31% dos bovinos projetados para o confinamento devem ser entregues à indústria frigorífica entre setembro e novembro. (Canal Rural)
A concentração ocorre em um período tradicionalmente importante para a pecuária. Durante a entressafra, a disponibilidade de pastagens pode ser menor em determinadas regiões, e os animais provenientes dos confinamentos passam a ter papel relevante na manutenção da oferta de bovinos terminados às indústrias.
Isso significa que praticamente metade da produção estimada pelo levantamento deverá chegar ao mercado dentro de uma janela de aproximadamente três meses. O comportamento dessas entregas poderá influenciar escalas de abate, disponibilidade de animais e dinâmica de negociação entre produtores e frigoríficos.
Mato Grosso acompanha custos e mercado da arroba
Para o produtor, a decisão de confinar não termina no momento em que o gado entra no cocho. Durante todo o ciclo é necessário acompanhar o custo da dieta, desempenho dos animais, ganho médio diário, preço da arroba e condições oferecidas pelos frigoríficos.
O objetivo é que o ganho de peso obtido durante o período intensivo seja suficiente para compensar alimentação, aquisição dos animais, estrutura, mão de obra e demais despesas. Por isso, pequenas alterações nos preços dos insumos ou na arroba podem modificar a margem esperada.
Em 2026, essa equação ganhou um componente particular: importantes alimentos ficaram mais baratos, mas a reposição valorizada limitou o benefício. O resultado aparece tanto na alta de 3,57% da diária quanto na revisão de 7,71% da intenção de confinamento.
Próximos meses serão decisivos para o setor
Os números divulgados nesta terça-feira indicam três movimentos principais para a pecuária mato-grossense: redução da intenção de confinamento em relação a abril, custo diário superior ao registrado em 2025 e forte concentração das entregas para abate entre setembro e novembro. (Canal Rural)
O comportamento do mercado nos próximos meses será determinante para o resultado efetivo das operações. Preços do milho e demais ingredientes, valor dos animais de reposição e cotação da arroba continuarão interferindo diretamente na margem dos confinadores.
Com uma projeção de 1,33 milhão de animais confinados em 2026, Mato Grosso mantém um volume expressivo de bovinos terminados em sistemas intensivos. A revisão para baixo, entretanto, demonstra que mesmo em um estado com grande disponibilidade de grãos e coprodutos para alimentação animal, a decisão de confinar continua altamente dependente da relação entre custos e expectativa de receita.
Principais números do levantamento
- 1,33 milhão de cabeças: estimativa de bovinos confinados em Mato Grosso em 2026.
- 7,71%: redução em relação à projeção realizada em abril.
- R$ 13,62: custo médio por cabeça/dia em julho.
- 3,57%: aumento da diária em relação ao mesmo período de 2025.
- 13,86%: queda do milho na comparação utilizada pelo levantamento.
- 24,18%: redução do caroço de algodão.
- 15,60%: queda do DDG.
- 2,47%: redução do farelo de soja.
- 48,31%: parcela dos animais prevista para entrega ao abate entre setembro e novembro. (Canal Rural)
Fontes
Canal Rural — Confinamento em Mato Grosso é estimado em 1,33 milhão de cabeças em 2026
Portal DBO — Imea aponta queda no interesse de pecuaristas pelo confinamento