Operação Solo Sagrado mira esquema de extração ilegal de ouro em Mato Grosso e Rondônia

Serena Bellieri
9 Min de leitura

Ação conjunta da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal cumpre dez mandados de busca e apreensão e uma prisão preventiva; investigação aponta movimentação superior a R$ 20 milhões e extração ilegal na Terra Indígena Sararé

Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF), Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF) foi deflagrada nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, para desarticular uma suposta organização criminosa investigada por atuar na extração e comercialização ilegal de ouro. Batizada de Operação Solo Sagrado, a ofensiva cumpre medidas judiciais em Mato Grosso e Rondônia e tem como um dos principais focos a exploração clandestina de minério na Terra Indígena Sararé, localizada em Mato Grosso. (Serviços e Informações do Brasil)

Ao todo, foram determinados dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal e do sequestro de bens e valores relacionados aos investigados. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Cáceres, em Mato Grosso. A força-tarefa mobilizou 30 policiais federais, seis auditores-fiscais e sete analistas-tributários da Receita Federal. (SBT News)

A investigação procura reconstruir toda a cadeia econômica relacionada ao ouro suspeito de origem ilegal, indo além das pessoas diretamente envolvidas na retirada do minério. Segundo a Receita Federal, o cruzamento de dados policiais, fiscais, bancários, patrimoniais e telemáticos revelou indícios de uma estrutura que atuava desde o financiamento e suporte logístico ao garimpo até a circulação e posterior comercialização do ouro no mercado. (Serviços e Informações do Brasil)

Núcleo investigado movimentou mais de R$ 20 milhões

Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a dimensão financeira da atividade. De acordo com a Receita Federal, apenas um dos núcleos financeiros investigados movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025. A apuração identificou ainda mais de R$ 3,5 milhões em recebimentos provenientes de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais. (Serviços e Informações do Brasil)

A suspeita é de que algumas dessas estruturas financeiras tenham sido utilizadas para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos. Essa frente da investigação levou os órgãos envolvidos a analisar não somente as operações de mineração, mas também movimentações bancárias, patrimônio, informações fiscais e transações realizadas pelos investigados e por empresas relacionadas ao caso. (SBT News)

Por esse motivo, a operação desta terça-feira inclui medidas de quebra dos sigilos bancário e fiscal e sequestro de patrimônio. A intenção é seguir o caminho do dinheiro e verificar se recursos provenientes da exploração ilegal de minério foram posteriormente incorporados a atividades aparentemente regulares.

Ouro passava por diferentes agentes antes de chegar ao mercado

As investigações indicam que o funcionamento do suposto esquema não terminava com a retirada do ouro das áreas de garimpo. Segundo a Receita Federal, o minério era adquirido diretamente de produtores ou de intermediários ligados à atividade garimpeira e, posteriormente, circulava por diferentes agentes da cadeia econômica até alcançar estruturas formalmente constituídas no mercado mineral. (Serviços e Informações do Brasil)

Os investigadores encontraram ainda indícios de utilização de cooperativas para conferir aparência de origem lícita ao ouro. Dessa maneira, minério que teria sido extraído ilegalmente poderia ser introduzido na cadeia formal e comercializado posteriormente como se tivesse procedência regular. Essa etapa é considerada fundamental para entender como recursos minerais retirados clandestinamente podem chegar ao mercado convencional. (SBT News)

A investigação ainda está em andamento, e as autoridades buscam identificar outros possíveis participantes dessa cadeia. Portanto, as informações divulgadas até o momento representam suspeitas e indícios levantados pelos órgãos responsáveis, e não condenações definitivas dos investigados.

Estrutura tinha máquinas, combustível e transporte

A dimensão do esquema investigado também aparece na logística necessária para manter as frentes de exploração mineral. As autoridades identificaram uma estrutura que envolvia escavadeiras hidráulicas, caminhões-prancha, combustível, peças, oficinas e transporte de equipamentos. (SBT News)

Somente em relação à compra de combustíveis, foram encontradas dezenas de operações financeiras com valores considerados compatíveis com o abastecimento de máquinas utilizadas em mineração. A manutenção de equipamentos pesados em regiões de garimpo exige uma cadeia permanente de abastecimento e manutenção, motivo pelo qual a análise financeira dessas despesas passou a integrar a investigação.

O objetivo dos investigadores é justamente identificar quem financiava essa infraestrutura, quais empresas forneciam equipamentos e serviços e de que maneira os recursos circulavam entre os diferentes participantes.

Escavadeira foi encontrada em atividade na Terra Indígena Sararé

Um dos episódios utilizados pelas autoridades para demonstrar a dimensão operacional da atividade ocorreu durante uma fiscalização realizada na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. No local, uma escavadeira hidráulica pertencente a uma das empresas investigadas foi encontrada, segundo as autoridades, em plena atividade de garimpo ilegal. (Tribuna Popular)

O equipamento foi apreendido e inutilizado durante a fiscalização. Posteriormente, a Receita Federal aplicou uma multa administrativa superior a R$ 3 milhões relacionada ao episódio. A descoberta passou a integrar o conjunto de elementos utilizados na investigação sobre a estrutura empresarial e financeira que estaria dando suporte à exploração clandestina. (Tribuna Popular)

A Terra Indígena Sararé tornou-se, assim, um dos pontos centrais da investigação. A operação procura determinar como funcionava a retirada do minério, quem financiava os equipamentos empregados na atividade e de que maneira o ouro deixava a área de exploração e ingressava na cadeia comercial.

Investigação segue o caminho do dinheiro

A participação da Receita Federal tem papel importante justamente na análise patrimonial e fiscal. O órgão confrontou as movimentações financeiras identificadas durante as investigações com informações oficialmente declaradas pelos suspeitos e pelas empresas relacionadas ao caso. (Serviços e Informações do Brasil)

A Polícia Federal atua nas diferentes frentes investigativas, enquanto o Ministério Público Federal participa da integração dos elementos reunidos e das medidas judiciais adotadas durante o processo. O trabalho conjunto permitiu combinar informações bancárias, fiscais, policiais, patrimoniais e telemáticas para construir uma visão mais ampla da suposta organização.

Além de responsabilizar eventuais participantes, as autoridades pretendem atingir a estrutura econômica que sustentava a atividade. Por isso, o bloqueio e o sequestro de bens são considerados instrumentos relevantes para tentar recuperar patrimônio que possa ter origem na exploração ilegal de recursos minerais.

Operação tenta interromper fluxo financeiro

Segundo a Receita Federal, as medidas cumpridas em 18 de agosto têm quatro objetivos principais: interromper o fluxo financeiro da organização investigada, apreender novas provas, identificar outros integrantes da cadeia e recuperar ativos provenientes da exploração ilegal de recursos minerais. (Serviços e Informações do Brasil)

As buscas realizadas em Mato Grosso e Rondônia também podem fornecer novos documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros capazes de ampliar a investigação. Como a operação está em andamento, novas informações sobre pessoas, empresas, valores e eventuais desdobramentos judiciais ainda podem surgir.

A Operação Solo Sagrado reforça uma estratégia das autoridades de combater não apenas a atividade de garimpo na área de extração, mas toda a estrutura financeira, empresarial e logística necessária para manter o minério ilegal em circulação. A investigação agora deverá avançar sobre os elementos apreendidos nesta terça-feira para determinar a extensão da cadeia e a eventual responsabilidade de cada um dos envolvidos.

Fontes

Receita Federal — Operação Solo Sagrado

SBT News — Operação mira esquema de extração e venda ilegal de ouro

R7 — Operação mira grupo ligado a garimpo ilegal

UOL — Operação contra venda ilegal de ouro

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