Iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso leva capacitação sobre IA generativa, modelos de linguagem e uso responsável da tecnologia para profissionais do interior do estado.
- O que é o projeto sobre inteligência artificial?
- IA generativa estará no centro da programação
- Participantes aprenderão técnicas para produzir melhores prompts
- Uso responsável da IA ganha importância no setor público
- Proteção de dados também entra na discussão
- Juína recebe programação nesta quinta-feira
- Tangará da Serra recebe encontro na sexta-feira
- Projeto começou em Cáceres e tem formato itinerante
- Inteligência artificial começa a mudar rotinas profissionais
- Capacitação amplia debate tecnológico no interior de Mato Grosso
O projeto “Diálogos com a Inteligência Artificial – Da rotina das Promotorias às soluções possíveis” chega nesta semana a duas cidades do interior de Mato Grosso. A programação será realizada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, em Juína, e na sexta-feira, 18 de setembro, em Tangará da Serra, durante reuniões de polo promovidas pela Procuradoria-Geral de Justiça.
A iniciativa é desenvolvida pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) em parceria com o Centro de Apoio Operacional de Defesa de Dados Pessoais e Inteligência Artificial (CAOIA). O objetivo é aproximar membros e servidores das tecnologias de inteligência artificial generativa que vêm sendo incorporadas a diferentes atividades profissionais.
A capacitação terá caráter introdutório e prático. Entre os assuntos previstos estão conceitos fundamentais de inteligência artificial generativa, funcionamento dos grandes modelos de linguagem, conhecidos como LLMs, possibilidades de aplicação dessas ferramentas e limitações que precisam ser consideradas durante sua utilização.
A chegada do projeto a Juína e Tangará da Serra também representa a interiorização de uma discussão que vem ganhando espaço no setor público. À medida que ferramentas de IA passam a auxiliar tarefas relacionadas à pesquisa, organização de informações e produção de documentos, instituições precisam estabelecer critérios para que seu uso seja acompanhado de segurança, responsabilidade e supervisão humana.
O que é o projeto sobre inteligência artificial?
O “Diálogos com a Inteligência Artificial” foi criado para oferecer aos integrantes do Ministério Público uma visão prática sobre o funcionamento das novas ferramentas de IA generativa. A iniciativa acompanha as reuniões de polo realizadas em diferentes regiões de Mato Grosso.
O formato itinerante permite levar a discussão para profissionais que atuam fora de Cuiabá. A primeira edição do projeto foi realizada em Cáceres, no fim de agosto, marcando o início de uma programação destinada a percorrer outras regiões do estado.
Em Juína, a capacitação será conduzida pelos promotores de Justiça Adalberto Biazotto Junior e Leoni Carvalho Neto. Em Tangará da Serra, o facilitador será o promotor de Justiça Claudio Angelo Correa Gonzaga.
A proposta não é apenas apresentar ferramentas. O projeto também pretende estimular uma cultura institucional de inovação, mostrando situações em que a tecnologia pode auxiliar atividades profissionais e, ao mesmo tempo, discutindo os cuidados necessários para sua utilização.
IA generativa estará no centro da programação
Um dos principais assuntos da capacitação será a inteligência artificial generativa, categoria de tecnologia capaz de produzir textos, imagens, códigos e outros conteúdos a partir das instruções fornecidas pelo usuário.
A programação também deverá explicar o funcionamento básico dos grandes modelos de linguagem. Esses sistemas conseguem interpretar comandos e produzir respostas a partir de padrões identificados durante seu treinamento, mas não funcionam como bancos de dados tradicionais nem garantem que todas as informações geradas estejam corretas.
Compreender essas limitações é particularmente importante em ambientes profissionais que lidam com documentos, informações pessoais e decisões com consequências jurídicas ou administrativas. Uma resposta aparentemente convincente produzida por uma IA ainda precisa ser conferida antes de ser utilizada.
Por isso, a capacitação combina o conhecimento sobre as possibilidades da tecnologia com orientações sobre seu emprego responsável. A intenção é evitar que a facilidade oferecida pelas ferramentas seja confundida com confiabilidade automática dos resultados.
Participantes aprenderão técnicas para produzir melhores prompts
Outro ponto previsto é a elaboração de prompts, nome dado aos comandos fornecidos aos sistemas de inteligência artificial generativa. A maneira como uma pergunta ou instrução é construída pode modificar significativamente a qualidade da resposta apresentada pela ferramenta.
Os participantes deverão conhecer técnicas para elaborar comandos mais claros, fornecer contexto adequado e estabelecer limites para a tarefa solicitada. Em ambientes profissionais, esse conhecimento pode ajudar a reduzir respostas vagas ou pouco relacionadas ao objetivo do usuário.
A programação também inclui contato com algumas ferramentas disponíveis no mercado, como Microsoft 365 Copilot, Claude, Gemini e NotebookLM. A apresentação dessas plataformas tem caráter de capacitação sobre o cenário tecnológico atual e suas diferentes possibilidades de utilização.
O projeto pretende mostrar como esses recursos podem ser incorporados à rotina institucional sem eliminar a responsabilidade do profissional sobre o resultado final. A IA funciona como ferramenta de apoio, enquanto análise, validação e tomada de decisão permanecem sob responsabilidade humana.
Uso responsável da IA ganha importância no setor público
A adoção da inteligência artificial por órgãos públicos envolve desafios diferentes daqueles encontrados em usos pessoais da tecnologia. Informações tratadas por instituições públicas podem incluir dados pessoais, documentos internos e conteúdos submetidos a regras específicas de proteção.
Por isso, a discussão sobre IA também está relacionada à governança de dados. Antes de enviar determinada informação a uma plataforma, o usuário precisa compreender como aquele serviço processa os dados e quais restrições institucionais existem.
Outro desafio está relacionado às chamadas “alucinações” dos modelos de inteligência artificial. Esses sistemas podem produzir informações incorretas, referências inexistentes ou interpretações inadequadas mesmo quando apresentam as respostas de maneira aparentemente segura.
Em atividades jurídicas, esse risco exige atenção especial. Documentos, decisões, normas e referências utilizadas em uma manifestação precisam ser conferidos em fontes oficiais antes de qualquer utilização profissional.
Proteção de dados também entra na discussão
A participação do CAOIA na iniciativa aproxima o debate tecnológico das questões relacionadas à proteção de dados pessoais. O avanço da IA tornou esse assunto ainda mais relevante porque muitas ferramentas dependem do processamento de grandes quantidades de informações.
No contexto institucional, não basta avaliar se uma plataforma consegue executar determinada tarefa. Também é necessário verificar se os dados utilizados podem ser inseridos naquele sistema e quais procedimentos de segurança devem ser observados.
Essa preocupação é particularmente importante quando documentos contêm informações pessoais ou conteúdos protegidos por algum grau de restrição. O ganho de produtividade não elimina as obrigações relacionadas à segurança da informação.
Capacitações como a realizada pelo MPMT ajudam justamente a estabelecer essa distinção: utilizar inteligência artificial de maneira eficiente significa também compreender quando uma ferramenta não deve ser utilizada para determinada informação.
Juína recebe programação nesta quinta-feira
A primeira parada desta etapa será Juína, nesta quinta-feira, 17 de setembro. O município está localizado a cerca de 735 quilômetros de Cuiabá e funciona como importante centro regional no noroeste de Mato Grosso.
A capacitação será conduzida por Adalberto Biazotto Junior e Leoni Carvalho Neto durante a reunião de polo promovida pela Procuradoria-Geral de Justiça.
A inclusão de Juína no circuito permite que profissionais que atuam na região tenham contato direto com discussões que normalmente ficam concentradas nos grandes centros. Essa descentralização é um dos elementos centrais do formato itinerante adotado pelo projeto.
O encontro também abre espaço para troca de experiências sobre situações reais encontradas pelos profissionais. Dessa maneira, a discussão deixa de abordar a inteligência artificial apenas como tendência tecnológica e passa a analisar possibilidades concretas dentro das atividades institucionais.
Tangará da Serra recebe encontro na sexta-feira
Depois de Juína, a programação segue para Tangará da Serra, onde a atividade será realizada na sexta-feira, 18 de setembro. O município está situado a aproximadamente 239 quilômetros de Cuiabá.
Em Tangará, a capacitação terá como facilitador Claudio Angelo Correa Gonzaga. A proposta permanece a mesma: apresentar fundamentos da IA generativa, demonstrar ferramentas e discutir possibilidades de utilização responsável.
A passagem pelas duas cidades em dias consecutivos demonstra a estratégia de aproveitar as reuniões regionais do Ministério Público para ampliar o alcance da capacitação.
Em vez de concentrar a formação exclusivamente na capital, o projeto acompanha os encontros de polo e aproxima o conteúdo tecnológico dos profissionais que atuam em diferentes partes de Mato Grosso.
Projeto começou em Cáceres e tem formato itinerante
O projeto foi lançado em 28 de agosto de 2026, em Cáceres, também durante uma reunião de polo. A primeira edição foi conduzida por Leoni Carvalho Neto e apresentou a proposta que agora chega a Juína e Tangará da Serra.
Desde sua criação, o formato foi pensado para ser itinerante. Isso significa que a capacitação poderá acompanhar outras reuniões promovidas em diferentes regiões do estado, ampliando gradualmente o número de participantes.
A estratégia também permite adaptar a discussão às necessidades encontradas pelos profissionais. Conforme ferramentas de inteligência artificial evoluem, novos recursos e novos riscos podem ser incorporados às próximas atividades.
Essa característica é especialmente relevante porque o mercado de IA generativa muda rapidamente. Plataformas recebem atualizações frequentes, novos modelos são lançados e funcionalidades que antes exigiam conhecimento técnico passam a estar disponíveis para usuários comuns.
Inteligência artificial começa a mudar rotinas profissionais
A expansão das ferramentas generativas vem transformando atividades que dependem intensamente da produção e análise de informações. Pesquisa, síntese de documentos, organização de dados e elaboração preliminar de conteúdos são algumas das tarefas em que esses sistemas podem atuar como auxiliares.
No Ministério Público, qualquer utilização precisa considerar as particularidades da atividade institucional. Informações produzidas automaticamente não substituem a análise jurídica, a conferência documental ou a responsabilidade funcional dos profissionais.
Por outro lado, quando utilizadas dentro de regras claras, ferramentas digitais podem reduzir o tempo dedicado a determinadas tarefas repetitivas e permitir que profissionais concentrem esforços em atividades que exigem interpretação e julgamento humano.
Esse equilíbrio entre produtividade e responsabilidade está no centro do debate atual sobre inteligência artificial no setor público. A questão deixou de ser apenas se a tecnologia será utilizada e passou a incluir como, onde e sob quais regras ela poderá ser incorporada.
Capacitação amplia debate tecnológico no interior de Mato Grosso
A chegada do projeto a Juína e Tangará da Serra mostra que o debate sobre inteligência artificial está avançando para além das empresas de tecnologia e dos grandes centros urbanos. Instituições públicas do interior também começam a discutir como incorporar essas ferramentas às rotinas profissionais.
O movimento exige capacitação porque a utilização responsável depende do conhecimento das possibilidades e dos limites dos sistemas. Saber formular um bom comando é útil, mas compreender riscos relacionados a erros, privacidade e proteção de dados é igualmente importante.
As atividades previstas para os dias 17 e 18 de setembro deverão combinar esses dois lados da discussão. De um lado, serão apresentadas ferramentas e técnicas capazes de auxiliar tarefas profissionais; de outro, serão debatidos os cuidados necessários para evitar uso inadequado.
Com o formato itinerante, o “Diálogos com a Inteligência Artificial” transforma as reuniões regionais do Ministério Público em pontos de disseminação de conhecimento tecnológico. Depois de Cáceres, Juína e Tangará da Serra passam a integrar esse movimento de capacitação sobre IA generativa, inovação, proteção de dados e transformação digital em Mato Grosso.
Fontes: Diário da Serra — Projeto de IA em Juína e Tangará da Serra · Juína News — programação do projeto de inteligência artificial · Informações sobre o lançamento do projeto em Cáceres