Convenção em Cuiabá oficializou chapas para deputado estadual e federal, enquanto o partido evita punir prefeitos que apoiam nome rival ao Palácio Paiaguás.
A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso avançou mais uma etapa nesta semana. Durante convenção realizada em Cuiabá, o Partido Liberal oficializou os nomes que vão disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, reunindo políticos experientes, lideranças municipais e até um influenciador digital entre os candidatos. Para o eleitor que acompanha a política estadual, a pergunta natural é entender quem são essas pessoas, o que motivou as escolhas do partido e, principalmente, como anda a disputa pelo Governo do Estado, tema que já provoca ruído dentro da própria sigla. Ao mesmo tempo em que celebrava a homologação das chapas, a direção regional do PL precisou lidar com prefeitos que decidiram apoiar publicamente um projeto político diferente daquele defendido pela cúpula partidária. Este texto reúne os principais pontos dessa movimentação e explica o que ela sinaliza para o cenário eleitoral do estado nos próximos meses.
Como ficaram as chapas para deputado estadual e federal
A convenção partidária, realizada na terça-feira em Cuiabá, oficializou 17 candidaturas para a Assembleia Legislativa e 8 para a Câmara dos Deputados. Entre os nomes que chamam atenção estão a vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Íris, o ex-deputado estadual Xuxu Dal Molin, que tenta retornar ao Parlamento estadual, e Zé Márcio Guedes, assessor do senador Wellington Fagundes. Também integra a lista o influenciador digital conhecido como Xerife Otávio, que reúne cerca de 76 mil seguidores nas redes sociais, um sinal de como perfis com forte presença digital vêm ganhando espaço nas disputas estaduais.
Na briga por uma vaga na Assembleia, o partido aposta na reeleição dos deputados estaduais Gilberto Cattani e Faissal Calil, somados a nomes vindos de prefeituras e câmaras municipais do interior, como o ex-prefeito de Vila Rica, Abmael Borges, e o ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcelos. Já para a Câmara Federal, a legenda mantém apostas em quem já ocupa mandato, caso dos deputados federais Coronel Fernanda, Coronel Assis e Rodrigo Zaeli, e amplia o time com o vereador cuiabano Rafael Ranalli, que tenta o salto para Brasília.
A diversidade de origens entre os candidatos, que vai de vereadores do interior a assessores parlamentares e influenciadores digitais, mostra a estratégia do partido de tentar cobrir diferentes regiões e públicos do estado em uma única chapa. Esse tipo de composição costuma ser decisivo em eleições proporcionais, já que cada candidato tende a puxar votos de sua própria base municipal ou de seu público nas redes sociais, ajudando a somar votos para a legenda como um todo.
A crise em torno da pré-candidatura ao Governo do Estado
Enquanto a convenção avançava na homologação das chapas legislativas, outro assunto dominava os bastidores do evento: a disputa em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado. O presidente regional do PL, Ananias Filho, precisou vir a público descartar qualquer punição ou expulsão de prefeitos filiados que decidissem apoiar o projeto político do vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, em vez do candidato oficial da sigla.
O desgaste em torno de Wellington fica mais evidente quando se observa quem já declarou apoio ao adversário dentro do próprio partido. Prefeitos como Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, justamente um dos principais colégios eleitorais do senador, já sinalizaram apoio a Pivetta. Some-se a isso as articulações que também têm mirado o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, e a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, ambos do PL.
Diante desse cenário, Ananias Filho optou por um discurso de conciliação em vez de confronto. Segundo o dirigente, o partido prefere dialogar com os prefeitos que se afastaram da orientação oficial a impor sanções, argumento que ele reforçou ao dizer que sua trajetória política sempre foi baseada em argumentação, e não em imposição. A postura sinaliza que o PL ainda avalia como lidar com a fragmentação interna sem comprometer a base aliada que já vem sendo construída para outras disputas no estado.
O próprio dirigente reconheceu que o quadro de alianças ainda está em formação, e que legendas como Democratas e União Brasil também seguem negociando suas posições para a disputa estadual. Essa fluidez é comum em anos eleitorais, mas o caso mato-grossense chama atenção porque a rachadura ocorre dentro do partido que detém, hoje, a cadeira mais importante do Executivo estadual em disputa, o que aumenta a pressão para uma solução até o fechamento oficial das coligações.
O que esperar até o fechamento das coligações
Segundo Ananias Filho, o PL segue em conversas para ampliar sua coligação por meio de diálogo com partidos como Podemos e Novo, o que indica que a composição final da chapa majoritária ainda pode mudar nas próximas semanas. A ata da convenção realizada em Cuiabá permanece aberta até o dia 5 de agosto, prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para a formalização de chapas e coligações partidárias em todo o país.
Esse intervalo de poucas semanas tende a ser decisivo para o desfecho da disputa interna entre Wellington Fagundes e o grupo que hoje apoia Otaviano Pivetta. Cada nova adesão de prefeito a um lado ou a outro pode alterar o equilíbrio de forças dentro do PL e influenciar diretamente o desempenho da legenda tanto na disputa ao Governo quanto nas eleições proporcionais para deputado estadual e federal.
Para o eleitor mato-grossense, o episódio serve como um retrato de como as eleições de 2026 no estado ainda estão em plena formação, com alianças que podem mudar de figura até a data limite de agosto. Acompanhar esses movimentos internos ajuda a entender não apenas quem estará na cédula de votação, mas também que forças políticas estarão de fato unidas por trás de cada candidatura ao longo da campanha que se aproxima.
Fontes: Rádio CBN Cuiabá, PL homologa chapas | Rádio CBN Cuiabá, PL descarta punição