Na Basilicata, casas, igrejas e passagens integradas à rocha contam uma história de ocupação humana que atravessa milênios e transforma a própria arquitetura em parte da paisagem
Matera é uma cidade em que compreender a paisagem significa também olhar para dentro da pedra. Na Basilicata, os Sassi formam um complexo urbano de casas, igrejas, passagens e espaços escavados ou construídos a partir da própria rocha, compondo uma relação singular entre arquitetura e território.
A presença humana nessa paisagem remonta à pré-história e atravessou diferentes períodos até chegar à configuração urbana que hoje caracteriza Sasso Caveoso e Sasso Barisano.
Para a Benarrivati, é justamente essa sobreposição de tempos que torna Matera uma experiência particular dentro de uma viagem pelo sul da Itália.
Uma cidade construída com a própria paisagem
Nos Sassi, arquitetura e relevo são difíceis de separar. Cavidades naturais foram ampliadas e transformadas em espaços habitáveis, enquanto blocos retirados da própria rocha deram origem a fachadas, ambientes abobadados e construções sobrepostas.
Ao longo dos séculos, esse sistema se tornou cada vez mais complexo. Casas, cisternas, pátios, escadarias e igrejas rupestres passaram a ocupar diferentes níveis da encosta, criando uma cidade em que o teto de uma construção pode servir de caminho para outra.
Essa organização ajuda a explicar por que Matera não deve ser observada apenas como um conjunto de edifícios históricos. Sua singularidade está justamente na maneira como diferentes gerações adaptaram a própria paisagem para viver nela.
“Matera provoca uma sensação muito particular porque a história não está apenas diante do viajante, ela está na maneira como os espaços foram construídos e ocupados. Nos Sassi, pedra, arquitetura e paisagem parecem fazer parte de uma mesma estrutura. É essa proximidade com tantas camadas de tempo que torna a experiência tão marcante”, conta Antonela Amaral Giancoli.
Dos antigos espaços de moradia a uma nova relação com os Sassi
A história recente de Matera também é fundamental para compreender o lugar. Na década de 1950, diante das difíceis condições sanitárias e de habitação, moradores dos Sassi foram transferidos para novos bairros da cidade.
Durante as décadas seguintes, a relação com o centro histórico passou por uma profunda transformação. A partir dos anos 1980, iniciativas de recuperação e novos usos contribuíram para devolver ocupação e vitalidade aos antigos bairros, sempre dentro de um patrimônio cuja preservação exige atenção especial.
Hoje, conhecer os Sassi significa também entender essa trajetória, sem romantizar as condições de vida do passado ou tratar a recuperação contemporânea como se nada tivesse mudado ao longo do tempo.
Uma cidade que se revela em diferentes níveis
Caminhar por Matera é atravessar uma sucessão de escadarias, pequenas praças, passagens e perspectivas que mudam constantemente conforme a altura e o ponto de observação.
Sasso Caveoso e Sasso Barisano apresentam diferentes relações entre construções, cavernas e tecido urbano, enquanto as igrejas rupestres acrescentam outra dimensão histórica e artística ao território.
Na curadoria da Benarrivati, a experiência pode ganhar profundidade quando existe tempo para compreender essas camadas em vez de percorrer a cidade apenas em busca dos mirantes mais conhecidos.
Matera não precisa ser apresentada como um lugar que permaneceu intacto durante milênios. Sua força está justamente no contrário: em uma paisagem continuamente habitada, transformada, abandonada em parte, recuperada e reinterpretada por diferentes gerações.
Ao incluir os Sassi em sua curadoria, a Benarrivati revela uma Basilicata em que o luxo da experiência está menos na ideia de exclusividade e mais na possibilidade de compreender o território com tempo. Em Matera, a própria pedra registra as sucessivas maneiras pelas quais as pessoas aprenderam a viver naquele lugar.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonela Amaral Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.